1 | Cultivo do linho
2 | Preparação do linho
3 | Tecelagem

 

 

1 | Cultivo do linho

 

Preparação do terreno
A primeira fase do processo baseia-se na limpeza e preparação do terreno de cultivo.

 

Sementeira
Realiza-se o lançamento das sementes para a terra.

 

Mondas
Ao fim de um mês, proximamente, o linho começa a florir, imprimindo aos campos uma imanável beleza. É então, que se torna imperativo proceder à monda, que consiste em arrancar as ervas perniciosas que nascem pelo meio do linho.


 

 

 

 

Colheita
Termina o ciclo vegetativo do linho, procede-se à sua colheita.

 

“Não colhais o linho verde
Deixai-o embaganhar
Que a baganha tem semente
P´ra tornar a semear.”

 

Quadras populares in “O linho na Tradição”

 

Ripagem
O objectivo deste trabalho é separar a baganha do caule da planta. Assim, aproveita-se a filassa para fins têxteis, enquanto que as sementes contidas na baganha – Cápsula- utilizam-se posteriormente para nova sementeira.

 

Maceração
A fibra do linho é revestida de uma substância gomo-resinosa chamada pectose. Para conseguir a separação dos dois elementos – fibrosos e lenhosos, procede-se à sua maceração ou alagação. As águas consideradas melhores são as límpidas, frias, pouco calcárias e de corrente vagarosa, sendo conveniente evitar as ferruginosas, por escurecerem o linho.

 

Secagem da palha
Normalmente a palha do linho seca em igual período de tempo em que se realiza a maceração, serão necessários oito dias de sol e oito dias de orvalho.

 

2 | Preparação do linho

 

Maçagem
Consiste em separar as fibras do linho umas das outras, libertando-as das cascas.

 

“As maçadeiras do linho
Trabalham bem a cantar;
Quem canta, vai esquecendo
Tristezas do seu penar.”

Quadras populares in “O linho na Tradição”

 

Espadelagem
Processo que se caracteriza por desagregar as arestas ainda aderentes, e separar as fibras mais finas que constituirão o linho, das mais grosseiras que formarão os tomentos.

 

Assegagem
E … continua o martírio do linho.

Esta fase é composta pelo “pentear” do linho, segura-se por uma extremidade do linho, mantém presa nos dedos, depois vai-se passando cuidadosamente e repetidas vezes pelo sedeiro, permitindo deste modo, que seja penteado, fique liso, sem arestas.

 

Fiação
Esta actividade tem por objectivo transformar as fibras soltas do linho em fio torcido para ser tecido.

 

“Quem me dera ser tão fino
Como o linho que fiais;
Quem me dera tantos beijos
Como no linho dais.”

 

Quadras populares in “O linho na Tradição”

 

Branqueio
O branqueamento divide-se em várias fases. Inicialmente temos a decerva, consiste em lavar os meadas na pedra do lavadouro, somente com água e sabão. Depois, são envolvidas em água com cinza peneirada, proveniente de madeira de oliveira ou casca de pinheiro, para tornar o linho mais mimoso.

Após bem mergulhado, torcem-se cuidadosamente para evitar que os seus fios se entrelacem demasiado. Passam mais tarde para os típicos potes de ferro, cheios de água a ferver, com o auxílio dum pau. Acrescenta-se então mais cinza, bocados de sabão e ainda certas ervas.

 

A seguir tiram-se dos potes, deixando-as arrefecer para depois serem passadas por água fria. São coradas ao sol, bem estendidas. Após a cora são novamente lavadas no lavadouro com água e sabão, bem esfregadas.

São finalmente postas a secar penduradas em varas de paus ou canas. Finalizando com a dobagem do linho, criando-se novelos.

 

3 | Tecelagem

 

Este trabalho requer inquestionáveis capacidades de paciência, sentido de perfeição e saber de artífice conscienciosa com intrínseca aptidão e apurada sensibilidade.

 

“Tu, és comparada à aranha
Teces teia no ar;
Tu, urde-la sem novelos,
Fazer pano sem tear.

A prendia a tecedeira
Agora já estou repesa;
Passa-me o amor à porta
E eu no tear sempre presa.”

Quadras populares in “O linho na Tradição”