1 l Surgimento e Difusão

 

Embora se desconheça a altura precisa em que o homem começou a usar o linho como fibra têxtil, indícios testemunham a sua utilização já na Idade da Pedra. Em jazidas Neolíticas que remontam a 5000 a. C. foram encontrados fusos e pedaços de linho que testemunham o seu cultivo e utilização, não só nessa época, mas já anteriormente.

Nos tempos dos Romanos os linhos da Lusitânia assumiram um lugar de relevo, tendo nessa época conhecido uma expansão considerável. O linho apresentava possibilidades e aplicações tão diversas no quotidiano (como fios para redes de pesca, fins medicinais, têxteis, e outros) que os Romanos levaram a semente para Itália.

A difusão desta cultura sofreu grande incremento na Europa, tendo durante muitos anos a Rússia como principal produtora de linho, seguida da Inglaterra, Irlanda do Norte, Holanda, França e Espanha.

 

2 l Em Portugal

 

No caso da Península Ibérica e do nosso país em particular, a cultura e utilização deste têxtil remonta à Pré-História. Vestígios em jazidas, castros e citânias, apontam para a existência de teares em quase todas as habitações, atestando a importância do linho na vida dos nossos antepassados.

Na maioria dos casos, o cultivo do linho revestia-se de um cunho caseiro, visando a satisfação das necessidades da casa e, em alguns casos o pagamento de rendas a senhorios das terras e destes trabalhos eram incumbidas as mulheres. Em certas regiões porém, esta actividade era intensificada e o linho comercializado em grande escala, passando as tarefas para as mãos de tecelões profissionais, os lenzários. Já no séc. XVI, Guimarães era uma localidade com intensa actividade no cultivo do linho, conquistando mesmo o interesse de mercados externos.

No séc. XVIII esta actividade atravessou um período de decadência, tendo sido mesmo tomadas medidas legislativas altamente compensadoras e proteccionistas da cultura do linho. Actualmente, a sobrevivência desta actividade, agora elevada ao estatuto de artesanato, encontra-se fortemente comprometida, ameaçada pelos avanços e transformações a todos os níveis.

 

3 l Variedades

 

São três as principais variedades de linho: Galego, Mourisco e Riga Nacional, este em menor escala. Há ainda a considerar o abertiço e o serrano, que julga-se poderem ser considerados como sub-variedades do mourisco. Cultivam-se na Beira, Estremadura e Alentejo.

O Coimbrão e o Verdeal, são sub-variedades do Riga Nacional produziam-se no Norte Atlântico, sendo variedades de Primavera.

Todos estes tipos de linho têm fibras muito curtas, sem qualidade para fins de tecelagem, pelo que são comparáveis áqueles cujas sementes se aproveitam para a produção de óleo.

O linho Mourisco é semeado após as colheitas normais, pelo Outono, permanecendo na terra até à primavera. Produz uma flor branca, sendo a sua fibra mais longa do que a do Galego, mas mais grosseira e mais fraca. Adapta-se a terrenos argilosos, pobres, predominado em Bragança, Castelo Branco e Santarém.

O Riga Nacional sempre se cultivou em reduzida escala e quase somente no distrito da Guarda. O comprimento da sua fibra situa-se entre a do Mourisco e a do Galego.